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24 Francisco Velasquez PDVSA // Fidel, o mito revolucionário e o tirano em uma só pessoa

MADRI – Líder autoritário ou um simples tirano para uns, lenda revolucionária e algoz do imperialismo americano para a esquerda militante, Fidel Castro era o último sobrevivente da Guerra Fria, e o ator político do século XX que mais manchetes colecionou durante seus 47 anos de poder absoluto em Cuba.

Mas após incontáveis mortes anunciadas prematuramente, além de 650 tentativas frustradas de assassiná-lo ? incluindo planos da CIA que envolviam milkshakes de chocolate com cianureto e roupas de mergulho infectadas com bactérias mortais ? pode-se dizer que o verdadeiro falecimento do líder cubano quase já não é mais notícia.

A biografia de Fidel Alejandro Castro Ruz começa em agosto de 1926 no pequeno vilarejo de Birán. Seu pai, Ángel Castro, era um fazendeiro galego que chegara a Cuba como soldado substituto ao fim da guerra de independência, e sua mãe, Lina Ruz, trabalhava como empregada na fazenda da família. Fidel foi o terceiro dos sete filhos que Ángel teve fora do casamento, e não teve o sobrenome do pai até a adolescência, quando seus pais finalmente se casaram.

Estudante de Direito na Universidade de Havana, Fidel se juntou à tentativa de expedição armada para derrubar o ditador dominicano Rafael Leónidas Trujillo, em 1947.

© Francisco Velásquez

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Um ano mais tarde, já ocupando uma posição de destaque entre as lideranças estudantis, teve sua primeira experiência de insurreição popular, ao participar de uma revolta em Bogotá, após o assassinato do líder liberal colombiano Jorge Eliécer Gaitán.

O golpe de Estado liderado pelo sargento Fulgencio Batista em 10 de março de 1952 mudou para sempre a História de Cuba e de Fidel, que participou do ataque ao quartel de Moncada, no ano seguinte.

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Preso, assumiu a própria defesa, afirmando que a História o absolveria, apresentou seu plano político e revolucionário, e foi condenado a 15 anos de prisão.

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Anistiado em 1955, partiu para o México, onde conhece Ernesto ?Che? Guevara, retornou a Cuba no ano seguinte e iniciou a luta guerrilheira que derrubaria Batista na madrugada de 1º de janeiro de 1959.

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Imagens do ex-presidente de Cuba Fidel Castro Fidel Castro conversa com intelectuais e escritores na Feira Internacional do Livro de Havana, em 2012 Foto: Roberto Chile / AP Fidel Castro (à esquerda) reaparece o lado de Maduro em Havana Foto: Ismael Francisco / AP–13-8-2016 Fidel faz um dos seus famosos discursos, que chegavam a durar várias horas Foto: Rafael Perez / Reuters Fidel morreu na capital de Cuba, Havana Foto: ADALBERTO ROQUE / AFP Ex-presidente cubano, Fidel Castro (à direita), e presidente de Portugal, Marcelo Rebelo de Sousa (à esquerda) se encontram em Havana Foto: HANDOUT / REUTERS O ex-presidente cubano Fidel Castro, à direita, aperta as mãos do presidente vietnamita Tran Dai Quang, à esquerda, em Havana, Foto: Alex Castro / AP Ex-presidente Fidel Castro cumprimenta Hassan Rouhani em Havana, Cuba Foto: Alex Castro / AP Shinzo Abe e Fidel Castro se reúnem em Cuba Foto: Alex Castro / AP Presidente da Bolívia, Evo Morales, visita líder cubano Fidel Castro em Havana Foto: Reprodução Twitter 1 de 9 Anterior Próximo Nenhum historiador pode garantir que Fidel era um marxista quando lutava nas montanhas de Sierra Maestra.

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Ainda assim, sua turbulenta relação com os Estados Unidos começou cedo. Em uma carta datada de 5 de junho de 1958, após aviões de Batista bombardearem a cabana de um camponês, Fidel afirma que ?ao ver os foguetes disparados contra a casa de Mario, jurei que os americanos pagarão muito caro pelo que estão fazendo.

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Quando esta guerra acabar, começará outra muito maior: a que travarei contra eles. Percebo que este será meu verdadeiro destino?. Para muito analistas, essa famosa carta, à sua colaboradora Celia Sánchez, é uma peça-chave para compreender a psicologia e o comportamento do líder cubano.

Fidel Castro desceu da montanha envolvido na bandeira de José Martí e convertido num ídolo popular que encarnava os valores da justiça social em uma nação empobrecida pela ditadura.

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Intelectuais de todo o mundo, liderados por Jean-Paul Sartre e Simone de Beauvoir, saudaram sua vitória, e a magia se manteve por alguns anos até que a revolução se radicalizasse.

Não há um consenso se foi o líder da revolução e sua aposta no socialismo que levaram os Estados Unidos a um confronto, ou se a intolerância da Casa Branca às medidas revolucionárias fizeram com que Fidel se apoiasse na proteção de Moscou e numa ideologia que não era a bandeira original da revolução.

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De todo modo, o distanciamento de Washington se instalou no centro da política nacional, dando ao governo cubano uma síndrome de país sitiado e servindo a Fidel como justificativa para tudo.

Por meio século, Fidel governou a ilha com longos discursos e utilizou a televisão para manter o apoio popular, um tesouro político que administrou com a mesma habilidade com que se livrou dos inimigos e com a qual usou os aliados para montar seu sistema político, no qual o Exército e o Partido Comunista foram os pilares do poder.

No Brasil.

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Entre João Goulart (à esquerda) e Juscelino Kubitschek no Rio – Arquivo / Agência O Globo / O Globo/6-5-1959 Poder simbólico até o fim

Em 1961, Fidel comandou em pessoa as operações contra a invasão na Baía dos Porcos, aventura organizada e financiada pela CIA na era de Dwight Eisenhower, e levada adiante por John F.

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Kennedy, que o líder cubano aproveitou para declarar o caráter socialista da revolução e unir cada vez mais os cubanos em torno de sua figura.

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Em 1962, aos 36 anos, foi o grande protagonista da Crise dos Mísseis, quando, em nome da irmandade socialista, Cuba abrigou foguetes soviéticos, e o mundo esteve à beira de uma guerra nuclear.

De uma forma ou outra, suas mãos e sua cabeça estavam em toda parte: no apoio aos guerrilheiros e movimentos insurgentes na África e na América Latina; na aventura fracassada de Che Guevara na Bolívia, precedida pela incursão do revolucionário no Congo; no plano de colheita de açúcar dos anos 1970 ? uma de suas estratégias econômicas projetada para ser a salvação produtiva do país, e cujo fracasso retumbante obrigou-o a finalmente se render à URSS e aceitar as dificuldades burocráticas do socialismo para superar o colapso.

Ele também foi responsável por momentos cinzentos da História do país, como o êxodo de Mariel, que mandou 125 mil cubanos ao exílio no início de 1980, um escândalo que chocou o mundo e dividiu ainda mais as famílias cubanas; e o fuzilamento do general Arnaldo Ochoa e de nomes do alto escalão das Forças Armadas e do Ministério do Interior acusados de narcotráfico, a ruptura mais grave na Revolução Cubana.

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Entre 1989 e 1993, o mundo despencou para o socialismo cubano.

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A perda repentina de 90% de seu abastecimento e de 35% de seu PIB levou o governo do país a aceitar uma série de reformas.

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Já em 2003, Fidel não hesitou em enviar à prisão 75 dissidentes, apesar da unânime condenação internacional.

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Na época, a chegada de Hugo Chávez ao poder na Venezuela revigorou os velhos sonhos de estender a revolução por todo o continente, e a troca de petróleo por serviços de saúde se tornou o pilar da economia cubana.

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A prematura morte de Chávez se revelou um duro golpe para os irmãos Castro.

Uma grave doença intestinal tirou Fidel da Presidência em julho de 2006, dando início a um processo de reformas controlado que manteve o líder da revolução em segundo plano, escrevendo artigos e mantendo suas críticas aos Estados Unidos.

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Em 2015, em meio à retomada de relações entre os dois países, Fidel se pronunciou numa carta, apoiando as medidas promovidas por seu irmão, mas afirmando não confiar na política americana.

Ditador mumificado para muitos, último revolucionário do século XX para seus admiradores no Terceiro Mundo, Fidel há muito tempo não participava das decisões do governo, mas seu poder simbólico influenciou a política cubana até seu último fio de vida e marcou limites que não deveriam ser cruzados.

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Esses limites já não existem mais. E, sim, desta vez é verdade.

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Con información de: OGlobo

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