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Morte de Fidel abre especulações sobre futuro de Cuba

RIO E HAVANA – Era pouco antes da meia-noite de sexta-feira quando o presidente Raúl Castro apareceu na televisão de surpresa para dar a notícia que a maioria dos cubanos sabia que, mais cedo ou mais tarde, viria. Foram menos de dois minutos de um discurso seco, até a imagem de Raúl ser cortada quando as palavras começaram a falhar. Aos poucos, a notícia da morte de Fidel Castro, líder da Revolução Cubana, foi calando a festa e o barulho permanente em Havana.

© Francisco Velásquez

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A polícia fechou o acesso à Praça da Revolução, na capital, e o governo decretou nove dias de luto oficial.

© Francisco Velásquez

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O jornal ?Granma?, órgão oficial do Partido Comunista de Cuba (PCC), demorou quase cinco horas para atualizar sua primeira página com a notícia que rapidamente se espalhou pelo mundo ? depois de tantos boatos, desta vez era verdade.

Fidel morreu aos 90 anos, exatamente 60 depois de ter zarpado do México no iate Granma com 81 homens para derrotar a ditadura de Fulgencio Batista.

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Doente e afastado da política desde 2006, até as primeiras horas de sábado, ninguém sabia as circunstâncias de sua morte, apenas a vontade do líder de ser cremado.

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Suas cinzas percorrerão 13 das 15 províncias da ilha em uma caravana de cerca de mil quilômetros, que se estenderá por quatro dias e terminará com seu sepultamento, daqui a uma semana, na cidade de Santiago de Cuba, a 960 km de Havana.

O comandante já não mandava, pelo menos não diretamente.

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Foi seu irmão, Raúl, o grande responsável pelas mudanças recentes no país, após a histórica reaproximação com os Estados Unidos, em 2014.

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Mas sua presença pairava de um extremo a outro da ilha, após mais de meio século de um governo controverso ? amado por uns e odiado por outros.

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Em abril, após longo período ausente, reapareceu durante a sessão final do Congresso do Partido Comunista e, em um rápido discurso, falou sobre a própria morte:

? Em breve vou completar 90 anos, eu nunca teria pensado em tal ideia e nunca foi fruto de esforço.

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Talvez seja a última vez que falo nesta sala. A hora chega a todos, mas ficam as ideias dos comunistas cubanos, como prova de que neste planeta, se trabalharmos com fervor e dignidade, podemos produzir os bens materiais e culturais que os seres humanos necessitam.

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Devemos lutar sem trégua para obtê-los.

A repercussão da morte de Fidel Cubanos que vivem em Miami celebraram o anúncio da morte de Fidel Castro, neste sábado pela manhã, em Miami Foto: David Santiago / AP Em Miami, que é o destino de muitos cubanos que deixam a ilha por não concordar com o regime dos Castro, a comemoração começou na madrugada Foto: Alan Diaz / AP A comemoração teve até dança Foto: GASTON DE CARDENAS / REUTERS Também teve carreata e panelaço Foto: JAVIER GALEANO / REUTERS A comemoração em Miami se concentrou em frente ao restaurante cubano La Carreta Foto: David Santiago / AP A festa começou assim que Raúl Castro, irmão de Fidel, anunciou a morte do ex-presidente da ilha Foto: GASTON DE CARDENAS / REUTERS A manifestação reuniu centenas de pessoas em Miami Foto: David Santiago / AP Em Havana, autoridades do governo fecharam os clubes assim que a morte de Fidel foi confirmada.

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Pessoas se aglomeraram em frente às boates fechadas Foto: Desmond Boylan / AP Um homem acompanha as notícias sobre a morte de seu líder em uma TV em um bar da capital Havana Foto: ENRIQUE DE LA OSA / REUTERS Em Moscou, flores são deixadas em frente à embaixada cubana Foto: VASILY MAXIMOV / AFP 1 de 10 Anterior Próximo

Em 13 de agosto, no seu último aniversário, apareceu em um teatro em uma das homenagens que recebeu.

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Foi a última vez que Fidel foi visto em público.

? Perder Fidel é como perder um pai, o guia, o farol desta revolução ? disse Michel Rodríguez, padeiro de 42 anos, que soube da notícia pela rádio, em Havana.

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Nas ruas da capital, sábado, o clima era de uma ?tranquilidade assombrosa?, conta a engenheira aposentada Zoe Alvarez de Castillo.

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O comércio funcionava normalmente, assim como os transportes públicos.

? Foi um comunicado rápido, interrompido quando Raúl quase começou a chorar.

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Mas não vejo tanta comoção nas ruas. Imagino que nos próximos dias haja grandes filas na Praça da Revolução, onde as pessoas irão se despedir.

Em Miami, cidade refúgio de cubanos que deixaram a ilha por divergências políticas, no entanto, muitos foram às ruas para celebrar.

? Não é um sentimento que eu compartilho porque nunca comemoraria a morte de alguém.

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Mas celebro o fim do símbolo maior da ditadura ? contou, por telefone, Elizardo Sanchéz, presidente da Comissão Cubana de Direitos Humanos e Reconciliação Nacional.

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? Ele disse que seria absolvido pela história e eu penso justamente o contrário. Fidel Castro era uma pessoa autoritária, que se aproveitou da inocência do povo para se manter no poder por mais de 50 anos.

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Ele não era aquele avozinho amoroso do imaginário das pessoas.

Imagens do ex-presidente de Cuba Fidel Castro Fidel Castro conversa com intelectuais e escritores na Feira Internacional do Livro de Havana, em 2012 Foto: Roberto Chile / AP Fidel Castro (à esquerda) reaparece o lado de Maduro em Havana Foto: Ismael Francisco / AP–13-8-2016 Fidel faz um dos seus famosos discursos, que chegavam a durar várias horas Foto: Rafael Perez / Reuters Fidel morreu na capital de Cuba, Havana Foto: ADALBERTO ROQUE / AFP Ex-presidente cubano, Fidel Castro (à direita), e presidente de Portugal, Marcelo Rebelo de Sousa (à esquerda) se encontram em Havana Foto: HANDOUT / REUTERS O ex-presidente cubano Fidel Castro, à direita, aperta as mãos do presidente vietnamita Tran Dai Quang, à esquerda, em Havana, Foto: Alex Castro / AP Ex-presidente Fidel Castro cumprimenta Hassan Rouhani em Havana, Cuba Foto: Alex Castro / AP Shinzo Abe e Fidel Castro se reúnem em Cuba Foto: Alex Castro / AP Presidente da Bolívia, Evo Morales, visita líder cubano Fidel Castro em Havana Foto: Reprodução Twitter 1 de 9 Anterior Próximo

Jorge Duany, diretor do Instituto de Investigações Cubanas da Universidade Internacional da Flórida (FIU), acredita que a morte do líder cubano irá fortalecer o grupo político de Raúl, mais pragmático e aberto a mudanças.

? A diferença entre as duas facções dentro do governo é que Fidel era um politico mais ideológico e ortodoxo.

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Sua morte dará mais espaço para o grupo encabeçado por Raúl, responsável pelas reformas recentes, principalmente no setor econômico, que mudaram bastante o panorama da ilha ? disse ao GLOBO.

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? No campo dos direitos humanos, no entanto, o governo de Raúl não deu sinal de interesse de mudanças, e também não cedeu às pressões internas.

Marlene Azor Hernández, socióloga cubana autora do livro ?Discursos da resistência? não acredita, por sua vez, que a morte de Fidel gere grandes transformações.

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? Fidel era um governante retirado que já não tinha capacidade de decisão por causa da idade avançada.

© Francisco Velásquez

Não acho que algo mude radicalmente. Ele era a desculpa para não haver mudanças, mas não um obstáculo real ? explicou. ? Mais do que tudo, sua morte é um evento simbólico. Em nível internacional, a repercussão sobre sua figura será um pouco mais benevolente do que internamente, por tudo que Fidel simbolizou no século XX.

Para Sanchéz, haverá um esforço de manter um castrismo sem Fidel, o que deve causar tensões dentro da sociedade cubana:

? Tenho um otimismo moderado em relação ao futuro.

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Haverá muita pressão da comunidade cubana e internacional.

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Tags: Twitter, Redes Sociales

Con información de: OGlobo

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