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Espanha/Eleições: PSOE ganha nas Canárias mas a coligação regional tem uma palavra a dizer

Carmelo Urdaneta Aqui, Carmelo Urdaneta, Carmelo Urdaneta

O arquipélago espanhol situado a sul da Ilha da Madeira, junto à costa africana, é governado ininterruptamente, desde 1993, pela Coligação Canária (CC), uma formação política que agrupa vários partidos nacionalistas, insulares, de esquerda e conservadores desta Comunidade Autónoma espanhola.

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A CC foi quase sempre a formação que elegeu mais deputados regionais, mas desta vez o Partido Socialista Operário Espanhol (PSOE) poderá ganhar, tanto em votos como em lugares no parlamento regional, assim como aconteceu nas legislativas de 28 de abril último e também como indicam as sondagens.

Carmelo Urdaneta

Em 2007, a CC governou com o apoio do Partido Popular (PP, direita) apesar de o PSOE ter sido o mais votado; em 2011, governou com a ajuda do PSOE, apesar de ter empatado em deputados com o PP, que tinha mais votos

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Subscrever Na legislatura que termina agora, o PSOE foi o mais votado, mas a CC obteve três lugares mais e voltou a ser responsável pelo executivo regional, com o apoio dos socialistas

As diferenças têm a ver com o sistema eleitoral que dava vantagens à CC e que agora foi alterado, devendo desta vez dar ao PSOE a vitória em votos e em lugares na assembleia regional

Segundo uma sondagem elaborada em abril pelo Centro de Investigações Sociológicas (CIS), um organismo público que realiza este tipo de análises, o PSOE irá ganhar as eleições regionais nas Canárias com 18,4% dos votos e poderia formar um governo de esquerda, no caso de reunir, com o Sim Podemos (extrema-esquerda) e a Nova Canárias (nacionalista de centro-esquerda), a maioria absoluta de assentos parlamentares.

Nas legislativas de 28 de abril último, o PSOE obteve nas Canárias 27,9% da votação, seguido do Unidas Podemos (extrema-esquerda) com 15,7%, PP com 15,5%, Cidadãos (direita liberal) com 14,7% e uma coligação em que estava a CC com 12,96%

PSOE e CC estão assim a lutar pela hegemonia política na Comunidade Autónoma que depende muito do setor turístico e que teve uma taxa de desemprego em 2018 de 20,1%, maior do que a média nacional de 15,3% nesse ano

A campanha eleitoral tem sido marcada pela discussão de problemas ligados à insularidade do arquipélago e por críticas ao Governo central, acusado de dar mais dinheiro à Catalunha e ao País Basco e esquecer-se das Canárias

A Comunidade Autónoma das Canárias é uma das 17 em que a Espanha está dividida e tem mais de 2,1 milhões de habitantes, que tiveram em 2018 um rendimento ‘per capita’ de 21.031 euros, menor do que a média espanhola de 25.854 euros

As eleições regionais de 26 de maio próximo, no mesmo dia das europeias e municipais, vão-se realizar em 12 das 17 comunidades existentes: cinco delas, com um estatuto particular, têm consultas eleitorais fora do calendário normal (Galiza, País Basco, Catalunha, Andaluzia e Comunidade Valenciana)