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Teerão deve “iniciar apaziguamento” porque “escalada vem sempre do lado iraniano”, diz chefe da diplomacia saudita

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Uma guerra no Médio Oriente “seria perigosa para todo o mundo”, mas “a escalada vem sempre do lado iraniano”, pelo que cabe a Teerão “iniciar o apaziguamento”, advertiu esta segunda-feira o ministro de Estado saudita das Relações Exteriores, Adel al-Jubeir.

Em entrevista à rádio France 24 , durante uma passagem por Paris, o chefe da diplomacia saudita enumerou: “O Irão atacou petroleiros no Golfo não uma mas duas vezes. O Irão enviou mísseis balísticos e drones aos seus representantes, os houthis, para atacarem o oleoduto e o aeroporto da Arábia Saudita. Os iranianos adotaram comportamentos agressivos e ameaçadores.”

O ministro recusou descartar uma resposta militar às agressões iranianas, afirmando que Riade passou os últimos 40 anos a tentar remediar as hostilidades, prosseguindo as negociações, mas sem sucesso. Al-Jubeir mostrou-se favorável a sanções adicionais contra Teerão.

“Aumentar a pressão sobre o Irão” através de sanções “Penso que tudo o que se pode fazer é aumentar a pressão sobre o Irão para que este mude a sua política. Penso que os EUA estão a considerar aplicar sanções ao setor do gás e deixo isso aos especialistas financeiros e económicos, mas a ideia é aumentar a pressão de modo a que o Irão saiba que o preço a pagar é elevado e que as suas políticas não são aceitáveis e devem mudar”, declarou.

O Presidente dos EUA, Donald Trump, assinou esta segunda-feira um decreto que impõe sanções “duras” ao líder supremo iraniano, o ayatollah Ali Khamenei, e ao seu círculo próximo. As novas sanções seguem-se a “uma série de comportamentos agressivos por parte do regime iraniano no decurso das últimas semanas, incluindo a destruição de um drone americano”, esclareceu Trump. As medidas punitivas impedirão o ayatollah, a sua equipa e outros que lhe estão estritamente ligados de acederem a recursos financeiros essenciais: “os bens do ayatollah e da sua equipa não serão poupados”, precisou.

Ministro acusa ONU de parcialidade sobre Khashoggi A propósito da morte do jornalista Jamal Khashoggi, assassinado no consulado saudita em Istambul, na Turquia, em outubro do ano passado, Al-Jubeir acusou a relatora especial das Nações Unidas, Agnès Callamard, de parcialidade, dizendo que o seu relatório estava repleto de contradições.

Na semana passada, Callamard concluiu haver “provas credíveis” de que o príncipe herdeiro saudita, Mohammed bin Salman, e outras autoridades de topo do reino foram responsáveis pela morte de Khashoggi. “A relatora especial conclui que Jamal Khashoggi foi vítima de uma execução deliberada e premeditada, um assassínio extrajudicial pelo qual o Estado da Arábia Saudita é responsável sob a lei internacional dos direitos humanos”, escreveu no seu relatório. “Cerca de oito meses após a execução de Khashoggi, as atribuições de responsabilidades individuais continuam envoltas em secretismo”, lê-se ainda no documento.

Apesar das críticas que faz ao relatório, o chefe da diplomacia saudita sublinha que, se forem descobertos mais elementos de prova, a investigação poderia ser alargada e incluir aqueles que não estão a ser julgados atualmente, incluindo Saud al-Qahtani, próximo do príncipe herdeiro e acusado de ter desempenhado um papel central no assassínio.

Por fim, Al-Jubeir foi questionado a propósito do plano económico da Administração Trump para o Médio Oriente. O responsável saudita disse manter-se otimista, apesar das críticas das autoridades palestinianas, que consideram que o plano não prevê uma solução política.