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Arrependidos e atrasados: cerca de 370 mil cariocas correram para tomar a primeira dose da vacina contra Covid-19

Christian Abreu Hidalgo
Arrependidos e atrasados: cerca de 370 mil cariocas correram para tomar a primeira dose da vacina contra Covid-19

RIO — O relógio marcava 16h58m quando mais um BRT lotado chegou à estação Mato Alto, em Guaratiba, na última quarta-feira. A dois minutos do fim da vacinação volante contra a Covid-19 que a prefeitura do Rio montou no local, o professor de educação física e empresário Leonardo Miranda se dirigiu à mesa onde os profissionais de saúde estavam. Perguntou à enfermeira que efetuava a triagem se ainda estavam dando a primeira dose. Quando ouviu o sim e que aplicavam a Pfizer, emendou: “Ela é eficaz? Qual a diferença para as outras?”. Devidamente esclarecido — todas as vacinas aplicadas no Brasil são eficazes —, Leonardo tomou a decisão adiada há meses: começou sua imunização contra o coronavírus. Durante a campanha promovida no município, os homens de sua idade foram convocados para se vacinar no dia 6 de julho. O empresário é um dos mais de 370 mil cariocas que, desde o fim da vacinação por faixas etárias em agosto, procuraram os postos de para receber a primeira dose.

Christian Abreu-Hidalgo

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Cerca de 30 mil cariocas ainda não receberam a primeira dose No dia seguinte do anúncio da cobrança o dobro de pessoas tomaram a primeira dose em relação ao dia anterior Passaporte da vacina também é cobrado em pontos turísticos Foto: Fabiano Rocha / Agência O Globo PUBLICIDADE  

Desde 15 de setembro, é exigida dos cariocas ao menos uma dose para frequentar locais públicos como academias e cinemas. Dependendo da idade, é preciso já ter completado o ciclo de vacinação. Esse foi o principal motivo para Leandro Miranda buscar a imunização. Dados de vacinação da prefeitura do Rio compilados pelo GLOBO mostram que no dia seguinte ao anúncio da necessidade do “passaporte da vacina”, mais de 40 mil pessoas foram os postos para receber a primeira dose, o dobro do dia anterior.

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Ao todo, nos dias de respescagem em agosto, foram 160 mil vacinados com a primeira dose. Em setembro, 176 mil pessoas começaram o ciclo vacina. Em outubro, foram 37 mil. Desse total, 1,7 mil eram idosos, faixa etária que já está tomando a terceira dose pelo calendário da Secretaria de Saúde

Atualmente, o painel de vacinação da prefeitura do Rio mostra que, entre os adultos, 99,8% aderiram à campanha de vacinação contra a Covid-19, o que é considerado algo inédito na cidade pelo secretário municipal de Saúde Daniel Soranz

Se percentualmente os não-vacinados não representam uma grande fatia, quantitativamente ainda são 30 mil pessoas que não receberam sequer uma dose da vacina, segundo estimativa da prefeitura. Ele sofrem risco maior de internação e complicaçã do quadro caso sejam infectados

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A alta cobertura vacinal é a principal explicação para a queda semana após semana dos índices da doença na cidade. Pela primeira vez desde o início da pandemia, o Rio está com “risco baixo” para a doença, segundo o último boletim epidemiológico da capital

A linha do tempo do passaporte da vacina 20 de agosto: Rio encerra a vacinação de adultos com 93% de cobertura de primeira dose 27 de agosto: Anúncio do passaporte da vacina para 1º de setembro 31 de agosto: Adiamento do passaporte para 15 de setembro 11 de setembro: Rio chega a 97,6% de adultos com a primeira dose 13 de setembro: Tribunal de Justiça decide a favor do passaporte pela primeira vez 15 de setembro: Início do ‘passaporte da vacina’ – Todos os adultos precisam da primeira dose 25 de setembro: ‘ Dia do sommelier ‘: atrasados podem escolher qual vacina querem se imunizar 29 de setembro: Tribunal de Justiça suspende o passaporte da vacina 30 de setembro: STF restabelece o passaporte da vacina Para “resgatar” quem está com a caderneta de vacinação contra a Covid vazia ou com a segunda dose em atraso, a prefeitura implantou postos volantes em estações do BRT na última semana. A cada dia, uma equipe ficava em um local para chega ao carioca, ao invés de aguardar sua visita aos centros de saúde. Com isso, atingiram 242 pessoas que não tinham sido vacinadas

— O número de internados tem caído muito. Pessoalmente, achava que nunca cairia abaixo de 300 internados, mas já batemos 150 pacientes. É importante convencer cada pessoa que ainda não se vacinou a ir ao posto. Ainda há gente se imunizando por causa do passaporte. Antes do grandes jogos de futebol, por exemplo, percebemos um pico na procura pela vacina — conta Soranz, destacando que este mês novas ações de buscas ativas devem ser realizadas também para o resgate de quem tem a segunda dose em atraso

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O GLOBO conversou com pessoas que começaram a vacinação contra a Covid-19 com atraso ou que não iriam se imunizar ao longo da campanha mas mudaram de ideia. Entre esses milhares de cariocas, há diferentes perfis. Gente que não acreditava na eficácia dos imunizantes, pessoas influenciadas negativamente por fake news ou quem ficou doente próximo de se vacinar e só nas ultimas semanas conseguiu ir até um posto. Confira algumas destas histórias:

Célio Santos não sabia que ainda podia se imunizar O eletricista passou os últimos meses na casa de parentes em Minas Gerais O eletricista Celio Santos de Melo. Foto: Hermes de Paula / Agência O Globo PUBLICIDADE  

Quando estourou a pandemia em março de 2020, o eletricista Célio Santos resolveu passar a quarentena na casa de familiares em Juiz de Fora, Minas Gerais. Morador da Cidade de Deus, ele acreditava que o tempo parado sem trabalho seria de algumas semanas, o que não se concretizou. Há pouco mais de um mês, ele voltou ao Rio, onde reencontrou a esposa e voltou a procurar emprego

A tão sonhada entrevista veio antes do imaginado e, na semana passada, Célio assinou sua carteira de trabalho. Na apresentação dos documentos, faltou apenas um: a carteira de vacinação contra Covid-19. O eletricista conta que, no tempo que ficou em Minas Gerais, não conseguiu se imunizar por ser do Rio. Quando voltou, pensava que não teria outra chance

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Sem saber da repescagem, Célio passou preocupado pela estação do BRT da Alvorada e, ao ver a equipe do GLOBO ao lado de uma placa escrito “vacinação da Covid-19” perguntou se poderia tomar a primeira dose. Ao receber a resposta positiva, respirou aliviado:

Acabei de vir da empresa e assinar o contrato de trabalho, mas pediram a carteira de vacinação. Vim pegar o BRT para voltar para casa e me vacinar no posto que tem lá. Mas vi a aplicação da vacina aqui e aproveitei. Pensei que não podia mais tomar porque tinha perdido meu dia aqui. Lá em Juiz de Fora, me disseram que não podia me vacinar por ser do Rio. Foi falta de informação e ao mesmo tempo ter pensado que não teria a oportunidade. Mas graças a Deus consegui e estou muito feliz — comemorou, ajustando a máscara em seu rosto

Cecília Antonia tinha medo das reações da vacina Agora ela tenta convencer outras pessoas de se imunizarem Cecília Antônia da Silva não queria se vacinar por medo dos efeitos colaterais Foto: Maria Isabel Oliveira / Agência O Globo PUBLICIDADE A dona de casa Cecília Antonia diz que não se considera negacionista em relação à pandemia da Covid-19. Ano passado, viveu o luto pela perda do irmão para a doença. Com o medo de se tornar mais uma vítima do coronavírus, ela conta que tentou se proteger ao máximo de ser infectada, sempre usando a máscara de proteção, por exemplo. No entanto, quando as primeiras vacinas foram anunciadas, ela acreditou nas fake news que recebeu

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Agora olhando para trás, percebe que um dos principais motivos que lhe deixaram em dúvidas foram as informações inverídicas sobre a eficácia das vacinas. Cecília conta que lia nas redes sociais informações que a influenciaram negativamente: “até você ter entendimento que aquilo é falso, você é influenciado”, relembra

Tomei o máximo de cuidado possível, mas quando chegou a vacina começaram a circular notícias de que queriam exterminar a população. Eu via coisas na internet: que não era confiável e que ia acabar matando a população. Achava estar vivendo num filme de terror e numa ficção cientifica — lembra

Porém, com o aumento do número de mortes na cidade, ela começou a refletir sobre a decisão de não se imunizar. Seu maior medo era transmitir o coronavírus à família. Foi então que aproveitou a repescagem para começar o ciclo vacinal. Na ida ao posto de saúde, Cecília ainda tinha muitas dúvidas sobre os imunizantes, mas depois se tranquilizou

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PUBLICIDADE Agora, ela luta contra a desinformação das pessoas que conhece e que continuam desacreditando da ciência. Ela relata com orgulho que conseguiu mudar a opinião de uma amiga que também estava com medo de se vacinar:

— Me arrependo de não ter ido no meu dia. Minha filha teve suspeita de ter se infectado com Covid. E eu fiquei com o coração na mão por ter passado para ela. Mas agora estou aliviada de estar vacinada — conta

Juarez Cunha, presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIN)  garante que todas as vacinas são eficazes e explica que as reações são comuns. “A maioria ou não tem reação alguma, ou são leves, como uma febre, dor no braço e mal-estar. As graves são raríssimas e são aquelas onde a pessoa precisa se internar para ter um acompanhamento médico.”

Elaine Monteiro achava que seria ‘cobaia’ A autônoma pediu demissão do emprego com receio de ser infectada pela Covid-19 RI – Rio de Janeiro (RJ) – 27/10/2021 – PESSOAS QUE MUDARAM DE OPINIÃO SOBRE A VACINA. – Na foto: Elaine Monteiro, 38 anos, autônoma. A princípio não queria se vacinar por acreditar que não passaria de uma cobaia para os testes, acredita que o processo de produção da vacina é demorado e não se sentiu segura, por pressão familiar e por querer liberdade ao frequentar os lugares, optou por se vacinar. – Santa Cruz. – / Maria Isabel Oliveira / Agência O Globo. Foto: Maria Isabel Oliveira / Agência O Globo PUBLICIDADE No dia 16 de março de 2020, a autônoma Elaine Monteiro, de 38 anos, pediu demissão do emprego que havia conquistado, há três meses, em telemarketing. O motivo, segundo ela, foi a pandemia. Trabalhar em uma sala com mais de 300 pessoas no auge da pandemia estava fora de cogitação para ela que, um mês depois, iria ganhar o título de avó com o nascimento da pequena Lavínia, hoje com um ano

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Ainda estava naquilo de fechar ou não as empresas, usar ou não as máscaras. Eu fiquei com muito receio de levar para minha casa e contaminar minha neta ou meus filhos. Como onde eu trabalhava nada ficou decidido rápido, pedi demissão

O medo da Covid-19 era grande, mas o “medo de ser uma cobaia para a vacina”, diz ela, era maior. Para Elaine, a criação da vacina foi muito rápida e as chances de morrer eram bem maiores que a de sobreviver com dose do imunizante. De Coronavac, Pfizer ou Astrazeneca, nenhuma a agradava. Ela diz que não gosta de vacinas. Ela diz que não toma vacinas que não sejam obrigatórias

O especialista Juarez Cunha explica que todas as vacinas aplicadas no Brasil, contra o coronavírus ou outras doenças, possuem todas as certificações de segurança e eficácia. Ele ainda ressalta que as vacinas só são liberadas para serem aplicadas em toda a população após as fases de testes clínicos e que nenhum imunizante hoje que está nos postos ainda está na fase de testagem

A mudança de opinião de Elaine veio como um pedido de socorro, como aqueles de quem já não aguentava mais se sentir vulnerável ao vírus e ver a vida passar pela janela de casa. A primeira dose veio no dia 14 de agosto, dois dias antes da sua festa de formatura em Gestão de Recursos Humanos. A comemoração foi um dos motivos para ir tomar a primeira dose

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Acho que o estalo para eu ir buscar a vacina foi a agonia e o receio de ser contaminada, e um novo olhar que eu fui construindo, aos poucos, sobre a eficácia e a segurança do imunizante. Eu nunca fui negacionista sobre a ciência, mas eu tinha um receio de que a vacina fosse dar alguma reação muito ruim em mim ou em alguém da minha família

Outro ponto que a desestimulava foi a campanha de vacinação, que sofreu com falta de doses em algumas datas. Mas ao ver as pessoas se imuzando, sua opinião mudou:

— A influência que um vacinado gera sobre o outro é bem grande. Antes, eu ficava apática sobre a imunização das pessoas ao meu redor, hoje eu comemoro e incentivo, chego a fazer campanha do tipo: “Venham! Se vacinem!” — diz

Jeferson de Castro teve o ’empurrão’ da esposa Com vida corrida e receio de se vacinar, foi a mas pressão de Luciara que o fez mudar de ideia RI Rio de Janeiro (RJ) 27/10/2021 – Vacinacao contra a Covid na estacao Mato Alto do BRT, em Guaratiba. Na foto, Jeferson Carlos Oliveira, que toma sua primeira dose com atraso. Foto: Leo Martins / Agencia O Globo Foto: Leo Martins / Agência O Globo PUBLICIDADE  

A rotina do pedreiro Jeferson Castro, de 43 anos, é a típica de milhares de trabalhadores do Brasil. Ele sai de casa muito cedo, às 4h, de Campo Grande, para trabalhar em alguma obra pela cidade do Rio. Sempre de transporte público, geralmente lotado, vai à Zona Sul ou para a Barra da Tijuca, na Zona Oeste. Nunca retorna antes das 18h

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Com os postos de vacinação funcionando entre 7h e 17h, ele ainda não havia conseguido tomar sequer a primeira dose. Sua esposa Luciara não se conformava. Além do dia-dia corrido, Jeferson diz que se preocupou com possíveis reações da vacina. Ele revela que foi influenciado negativamente por histórias e mensagens que leu em redes sociais

Na última semana, com meses de atraso, finalmente recebeu a primeira dose. Foi em um posto volante da prefeitura do Rio no BRT Mato Alto. Aliviado, brincou que levaria até o algodão para casa e mostrar para Luciara, como prova de que havia tomado a vacina:

Trabalhando em obra, saio muito cedo de casa e volto já com tudo fechado. Por acaso este posto aqui estava funcionando. Mas também fiquei preocupado com pelo que a gente lê. Minha esposa chegou a pegar Covid e já tomou as duas doses. Ela ficava me dizendo para ir me vacinar, mas eu acabava não indo. Agora, além de estar aliviado, também deixo minha esposa feliz. Se não fosse a Luciara, talvez não tivesse tomado — brinca

Cassiana Matilde teve Covid-19 pouco antes de tomar a primeira dose Trabalhando em um mercado durante toda a pandemia o resultado positivo para o coronavírus foi ‘um baque’ Cassiana Matilde teve Covid-19 poucos dias antes de tomar a primeira dose, o que adiou seu calendário Foto: Hermes de Paula / Agência O Globo PUBLICIDADE Faltavam poucos dias para Cassiana Matilde, de 28 anos, tomar a sua tão aguardada primeira dose quando ela começou a sentir os sintomas da Covid-19. Ela trabalha em supermercado desde o início da pandemia

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Cassiana acredita que pode ter se infectado no BRT, que pega sempre lotado. Além disso, muitos não respeitam o uso de máscara. Coincidentemente, foi também em uma estação do BRT onde finalmente tomou a primeira dose da vacina

Quando eu fiquei com sintomas e me senti mal, fui correndo para o médico. Saiu o resultado e não acreditei. Não adoeci durante toda a pandemia, mesmo trabalhando diariamente. Fui pegar perto de tomar a vacina. Foi um baque — relembra

Cassiana está no grupo que teve que aguardar um tempo após a recuperação para receber o imunizante. Apesar de o prazo indicado ser de um mês, ela pensou em esperar até suas férias no fim do ano para tomar a primeira dose. O que encurtou sua espera foi justamente ter um posto de vacinação no meio de seu caminho:

Fiz o que foi possível para me proteger, sempre usando máscara. Estou indo trabalhar e estava esperando entrar de férias para poder ir em um posto me vacinar. Mas como está bem aqui no BRT, aproveitei para me imunizar

Edneide Oliveira não se vacinava há 22 anos Ela e a família tinham via a vacina com um sinônimo de perigo Edneide Oliveira não se vacinava há 22 anos Foto: Maria Isabel Oliveira / Agência O Globo PUBLICIDADE  

Há 22 anos, a professora Edneide Oliveira, de 55 anos, perdeu a avó, Maria Francisca de Oliveira, com 88 anos. Fumante e diagnosticada com enfisema pulmonar aos 86, o laudo médico de dona Maria apontou uma pneumonia como a causa da morte. Mas Edneide e sua família não acreditaram e acharam que o motivo foi a vacina da gripe que ela havia tomado pouco tempo antes na campanha anual. A partir de então, nenhum outro imunizante chegou aos braços deles até julho de 2021

PUBLICIDADE Juarez Cunha, presidente da SBIN, explica que a morte da mãe de Edneide não tem nenhuma relação com a vacina aplicada. Segundo o especialista, apesar de em alguns casos haver uma relação temporal não existe uma causa direta que ligue a vacina da gripe a pneumonia ou a gripe, por exemplo. Cunha ainda ressalta que as vacinas oferecidas no país são seguras

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A primeira vez em que Edneide se lembra de ter ouvido a palavra coronavírus foi em uma viagem do Brasil para Portugal, em fevereiro de 2020. Ela conta que, na época, o fechamento das cidades e a ruas vazias no outro país a assustaram a ponto de imaginar que a Covid-19 atravessaria o oceano e chegaria junto com sua aterrissagem, um mês depois, no Brasil

Foi uma loucura. Quando cheguei aqui, já estava no início do isolamento. Só deu tempo de fechar meu espaço, onde eu dou aula de reforço para alunos do ensino fundamental e médio, e me trancar em casa, com todos os cuidados — conta

A vacina chegou para a faixa etária de Edneide mais de um ano depois. Para muitos, foi uma esperança; para ela, a memória da morte da avó. Mesmo com medo, foi ao posto

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— Eu não queria tomar, mas, ao mesmo tempo, pensava nas pessoas que eu estava protegendo, nos meus alunos, nos idosos que moram perto de mim, e no exemplo que eu estaria dando para outras pessoas. Depois que tomei, outras pessoas da minha família quiseram tomar, como a minha mãe, de 73 anos, que foi porque me viu tomando

Ao pensar nas viagens, ela conta que o passaporte de vacinação, ainda sob cogitação na época, deu um impulso maior. Agora, com a dose única no braço, os planos são voltar com as aulas de reforço em seu espaço em Copacabana e encontrar, pela primeira vez, o namorado irlandês que conheceu virtualmente na pandemia

Ele me deu maior força para me vacinar, falava muito da importância do imunizante, dos estudos sobre a vacina. Ter pessoas assim também nos ajudam a mudar de opinião — conta

Wilton Almeida não podia enfrentar as filas para se vacinar Trabalhando em dois empregos, o morador de Nova Iguaçu sai de casa antes da abertura dos postos e só volta depois do expediente Wilton Almeida não podia enfrentar as filas para se vacinar Foto: Hermes de Paula / Agência O Globo PUBLICIDADE Quando olha para cima ao sair de casa para trabalhar, Wilton Almeida ainda vê o céu todo escuro, já que sua rotina começa às 4h. Morador de Nova Iguaçu, quando volta para casa a cena se repete: a iluminação vem dos postes das ruas. Em dois empregos na capital, Wilton diz que nunca conseguiu enfrentar as filas para se imunizar contra a Covid-19 em sua cidade

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Na última quarta-feira, recebeu um telefonema da esposa avisando da oportunidade que não poderia perder: a prefeitura havia montando um ponto de vacinação justamente no BRT da Alvorada, onde faz baldeação para ir para o segundo emprego

Foi uma ótima ideia de quem organizou. Saio muito cedo de casa e os postos não estão abertos. Quando volto, também estão fechados. Até hoje, em Nova Iguaçu, tem muita fila. No meu caso, não tenho com esperar devido ao trabalho — relata, feliz por ter se vacinado

Roberto Rutigliano calculou os riscos da Covid-19 O músico sempre teve muito medo de medicamentos, mas receio maior do coronavírus o fez se vacinar Roberto Horácio Rutigliano, músico, 63 anos. Foto: Maria Isabel Oliveira / Agência O Globo PUBLICIDADE O músico argentino Roberto Rutigliano sempre teve receio de tomar medicamentos e usar outros produtos farmacêuticos. Mesmo após todos os testes de eficácia e segurança requisitados pela Anvisa. Apesar disso, já tomou as duas doses da vacina contra a Covid-19 e deve tomar em breve a dose de reforço. Mas a decisão de se imunizar contra o coronavírus não foi fácil para ele

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Roberto conta que teve mais medo de se tornar mais um na estatística de mortos pelo coronavírus no Brasil do que possíveis reações que lia na internet. Ele também alega que a falta de uma comunicação clara do governo aumentou suas dúvidas em relação à vacinação

PUBLICIDADEVocê não sabe exatamente qual a diferença em uma vacina ou outra, do que ela é feita. Tive muita pressão da família e amigos para me vacinar. Eles têm uma confiança que a vacina ajudaria. Mas a maior pressão foi a de ver o número de mortes por dia da Covid-19. Não sou negacionista, sei que a pandemia existe. Me cuido muito, quase não saio na rua

Os especialistas garantem que todas as vacinas são eficazes e seguras

As vacinas são eficazes e seguras, explica especialista Juarez Cunha, presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações, critica circulação de informações falsas sobre a pandemia RI Rio de Janeiro (RJ) 26/10/2021 – Atrasados e arrependidos da vacinação contra a Covid-19 no Rio. Quase três meses após o fim da vacinação por idade entre adultos ainda há quem procure os postos para tomar a primeira dose da vacina. Posto movel na Alvorada, Barra da Tijuca. Foto: Hermes de Paula / Agencia O globo Foto: Hermes de Paula / Agência O Globo PUBLICIDADE Atualmente no país há quatro imunizantes aprovados pela Anvisa: Pfizer, Coronavac, AstraZeneca e Janssen. No site da Agência , o cidadão pode encontrar informações e tirar dúvidas sobre todos dos processos de testes e liberação dos imunizantes

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O pediatra Juarez Cunha, presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIN) explica que é comum a população ter dúvidas sobre as possíveis reações que pode ter ao ser vacinado contra a Covid-19 ou outras doenças. Além de confirmar que todos os imunizantes aprovados pela Anvisa passaram por um rígido processo de checagem da segurança e eficácia, ele esclarece que as tecnologias usadas pelas vacinas não sou novos

— As pessoas têm a  ideia de que as vacinas foram desenvolvidas muito rápidas. Mas estas tecnologias são estudadas há 10, 20 anos. Nenhuma vacina chega para uso da população em geral sem ter aprovação dos órgãos reguladores. E para serem aprovadas precisamo provar eficácia e segurança. Todas as vacinas que temos hoje sendo aplicadas  não são mais experimentais e não são mais testes. As pessoas não estão sendo cobaias — afirma

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Ele comemora o histórico do Plano Nacional de Imunização de atingir altas coberturas vacinais em outras campanhas no país e explica que este foi um dos grandes fatores que tornam a vacinação um sucesso. Juarez ainda ressalta ser preciso diferenciar as reações leves, moderadas e graves da vacina

— O medo das reações atrapalha a cobertura vacina em outras campanhas. A maioria ou não tem reação alguma, ou são leves, como uma febre, dor no braço e mal-estar. As graves são raríssimas e são aquelas onde a pessoa precisa se internar para ter um acompanhamento médico. Todos os anos precisamos explicar, por exemplo, que a vacina da gripe não tem como causar gripe ou pneumonia — diz o médico, que complementa:

— Não é porque faz poucos dias que você se vacinou e pegou um resfriado que a causa é a vacina. Ao ter uma relação temporal se investiga, é claro. Nós acompanhamos os eventos adversos, mas é preciso esperar a conclusão dessa investigação para saber se há uma causa da vacina ou não. As pessoas continuam tendo infarto, acidentes como antes — explica Juarez

O presidente da SBI ainda ressalta ser preciso seguir na busca dessas pessoas não vacinadas e critica a circulação de notícias falsas que levaram a muitos hesitar de ser imunizar:

PUBLICIDADEDurante todo o tempo da pandemia temos desafios diários para combater informações falsas. Por outro lado, chama atenção que o brasileiro acredita em vacinas e conseguido números e percentuais de cobertura maior que outros países. Quanto maior a cobertura vacinal melhor para o indivíduo, mas também é contribuir para a coletividade