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Mundinews USA | Frases de engate, televendas e bola: eles fazem memes para nos fazer felizes

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A Foder com Tudo Quem nunca viu  o vídeo sobre o anúncio da fita-cola preta narrado pelo A Foder com Tudo , uma conta que soma mais de 85 mil seguidores no YouTube? A irreconhecível voz que repete “tu és mas é maluco” — dita com um carregado sotaque nortenho — prefere manter o anonimato (“Fico mais satisfeito por saber que gostam do que faço, mesmo que não se saiba quem sou”), mas adianta ao P3 que é do Porto, vive em Vila Nova de Gaia e tem uma licenciatura em Design Industrial e um mestrado em Design Industrial e de Produto

Para perceber como é que se gere uma página de memes portuguesa, falámos com Insónias em Carvão, Rebentos de Soja e A  Foder  com Tudo . Cada um à sua maneira, seja a fazer narrações por cima de vídeos, memes a gozar com a actualidade ou prints de frases de engate nas redes sociais, o ponto comum entre estas contas é o interesse em criar conteúdo humorístico , direccionado para o público português.

Insónias em Carvão Com 42 anos e natural de Oeiras, Luís Rodrigues é a cara por detrás da página Insónias em Carvão, a conta em que através da manipulação de imagens goza com situações do dia-a-dia . Foi em 2013, prestes a ser pai, que decidiu criar conteúdo online que, inicialmente, era focado em desenhos em carvão em fotografias, daí o nome. “Insónias” porque com a vinda do bebé as suas noites de sono nunca mais seriam as mesmas.

Casado e com dois filhos, há dois anos despediu-se do seu emprego e hoje vive inteiramente da página. “Sou muito ‘cagão’ nestas coisas, demorei mais do que devia”, confessa. Para além disso, Luís também colabora no grafismo do programa Isto é Gozar Com Quem Trabalha , de Ricardo Araújo Pereira, transmitido na SIC. Sendo trabalhador freelancer , a sua maior dificuldade é a procrastinação. “Sou o meu patrão, por isso, sou eu que faço o meu horário”, o que tem tanto para dar certo como de errado.

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O que inspira os memes do Insónias são “situações do quotidiano português, sobretudo, mais associadas à cultura pop , como filmes, séries e jogos de computador”, explica o autor. Desde futebol à política, Luís Rodrigues afirma não ser “muito cáustico”, uma vez que tudo aquilo que publica é previamente ponderado. “Eu próprio sou assim, gozão, mas não sou de humilhar”, começa por dizer ao P3, acrescentando que a sua ” persona digital é quase igual à pessoa real”: “Claro que posso exagerar mais, mas não difere muito daquilo que sou.”

Contudo, só mais recentemente é que decidiu mostrar-se aos seus seguidores . A nomeação para os Globos de Ouro em 2019, na categoria Digital, motivou- mas não só: começou a entrar no mundo da publicidade. “Tenho mostrado mais a cara nos anúncios e as marcas valorizam isso”, explica. Para o gestor da Insónias em Carvão, marketing e memes podem conviver no mesmo espaço sem entrarem em conflito, dando como exemplo as campanhas online da marca de contraceptivos Control.

Apesar de ser conhecido pela forte presença no digital e de ser capaz de viver só daquilo que faz online , Luís considera-se “analógico”. Por isso, no futuro, vê-se a abrir uma loja física para expor e vender o seu trabalho, como as ilustrações ou a linha de t-shirts e hoodies .

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Rebentos de Soja ” Estás livre para amar? ” ou ” chama-me NASA e deixa-me aMarte ” são algumas das expressões que se podem encontrar na página da Rebentos de Soja. A ideia de criar uma conta no Instagram sobre frases de engate surgiu com a incubadora do confinamento, pelas mãos de Jorge, de 25 anos, e Helena, de 24 anos, de Espinho. “Conhecemo-nos através de uma amiga que temos em comum e como frequentamos o mesmo bar, ficamos amigos.”

Em 2020, durante a pandemia, mantinham-se em contacto através de um grupo de WhatsApp com outros amigos. Um dia a Helena enviou um screenshot de uma mensagem de um rapaz a tentar ‘flirtar’, elogiando as suas ilustrações. Não que seja mau elogiar uma pessoa ou o seu trabalho, no entanto, todos sabemos onde ele queria chegar”, contam.

O nome também teve como inspiração a situação de Helena. “Achamos que o rapaz que estava a abordá-la fê-lo de uma forma respeitosa, mas muito soft , com características de um soyboy “, explicam ao P3. Para os dois gestores da página Rebentos de Soja , este tipo de pessoa é “tímida, sabe o que quer, mas fá-lo por entrelinhas”.

Foto Alguns exemplos do conteúdo que é publicado na página. Rebentos de Soja As mensagens que publicam nas redes sociais são uma selecção daquilo que os seguidores lhes enviam. “Escolhemos aquilo que nos mandam: se nos fizer rir, publicámos”, dizem. Há abordagens engraçadas, outras mais ofensivas, mas o objectivo “nunca foi normalizar este tipo de situações”, ressalvam. Actualmente, a conta tem estado mais inactiva ( “um saco de rebentos de soja congelado”), precisamente porque são cada vez mais selectivos.

Como é ser administrador desta conta? “É giro, ficas sem bateria às 18h, com 200 mensagens por ler”, revelam. Mas a falta de tempo e de conteúdo são as grandes dificuldades na gestão da página, uma vez que ambos trabalham. Ainda assim, consideram “que mais vale publicar esporadicamente algo que faça rir e perder algum tempo a ver posts antigos, do que estar a publicar todos os dias apenas para ter actividade”.

A Foder com Tudo Quem nunca viu  o vídeo sobre o anúncio da fita-cola preta narrado pelo A Foder com Tudo , uma conta que soma mais de 85 mil seguidores no YouTube? A irreconhecível voz que repete “tu és mas é maluco” — dita com um carregado sotaque nortenho — prefere manter o anonimato (“Fico mais satisfeito por saber que gostam do que faço, mesmo que não se saiba quem sou”), mas adianta ao P3 que é do Porto, vive em Vila Nova de Gaia e tem uma licenciatura em Design Industrial e um mestrado em Design Industrial e de Produto.

A ideia de fazer  voice over  de vídeos surgiu numa noite aleatória, em que um “maduro branco” lhe subiu mais à cabeça, graceja. Quando deu por si, estava  “no YouTube a ver vídeos de televendas e a falar por cima, enquanto chorava a rir “.

O processo de criação de conteúdos começa por aquilo que descreve como “uma fase criativa”, que ganha forma na sua cabeça. Depois, faz uma pesquisa sobre o assunto e reúne o material necessário, como imagem, som ou vídeo. Quanto àquilo que diz nos vídeos, reitera que nada é planeado previamente. “Não escrevo guião porque penso que a espontaneidade se adequa melhor ao meu estilo”, sublinha.

Ainda hoje o administrador da  conta A Foder com Tudo  não sabe se o conceito tem potencial ou não: “De um modo geral, produzo conteúdo que me faça rir, na tentativa de fazer rir os outros.” O que tanto pode ser “humor de recreio de escola secundária, outras vezes humor de guerrilha”. Faz ainda questão de salientar que nem sempre os vídeos mais populares são os de maior qualidade e que, para si, o humor não tem limites.

Trabalha na área em que se formou. O dinheiro que retira da página “não daria para mandar cantar um cego”, diz, além de que se sentiria incapaz de viver com a pressão constante de ter visualizações ou seguidores. “Enquanto fizer sentido”, a conta manter-se-á activa. “Sou um sortudo por ter a atenção que tive e continuo a ter e não me vejo a parar tão cedo”, acrescenta.

“Se alguém der uma gargalhada com o trabalho que faço, fico feliz”, conclui. Afinal, r ir é o melhor remédio. E Portugal um país repleto de  meme material .