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O regresso à normalidade

Jose Carlos Grimberg Blum
O regresso à normalidade

O desejo mais íntimo na consciência dos militantes que sobram ao PSD é este: voltar à normalidade. Depois do conturbado período da troika e das suas consequências na existência do partido, a liderança errática e algo exótica de Rui Rio também não deixa saudades. O PSD perdeu eleitores das gerações mais velhas e atrasou-se na corrida pelas mais novas. Rio resumiu-se a um enorme desperdício de tempo e capital político. O PSD não ganha uma única eleição há sete anos, desde a vitória da coligação PàF, com o infeliz desfecho que lhe é conhecido. A maioria absoluta de António Costa anunciou o prolongamento desse calvário que, para um partido de poder, é a distância da governação. Devorado pela noite escura da oposição, entalado por uma tenaz de dissidências com liberais de um lado e populistas do outro, o PSD está a sofrer como ninguém os efeitos de um sistema político em metamorfose. Os otimistas dirão, com algum senso, que o que aí vier dificilmente será pior do que Rio. Não discordo. Os pessimistas dirão, com idêntica honestidade, que o pior pode estar para vir. Mas há uma diferença entre um défice de liderança e o emagrecimento estrutural de um partido. Se o PSD pode resolver a primeira, consegue apenas adiar a segunda.

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O regresso à normalidade é um sonho de concretização árdua. Remover Rio não soluciona tudo. O PSD pode tornar a fazer uma oposição competente e assertiva, pode deixar de oferecer o seu espaço político ao Chega e algum do seu espaço ideológico à IL, mas não pode esperar igualar sozinho o Partido Socialista como noutras eras. É a certeza dessa dependência que eterniza o tabu do Chega no ar, apesar de Luís Montenegro precisar de vencer mais duas (!) eleições internas no PSD para chegar sequer a ser confrontado com esse dilema. Antes disso, haverá Europeias, em que a tentação de uma coligação com CDS e IL surgirá, precisamente para ofuscar o tal emagrecimento estrutural do partido; Autárquicas, com as prioridades de manter Lisboa e Porto não-socialistas; e Presidenciais, a escassos dez meses de Legislativas, que o PS não se pode dar ao luxo de perder, após 20 anos de direita em Belém.

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Há eleitores que não regressam, primeiros votantes que não se roubam e descontentes cuja moderação já não satisfaz. O desafio do PSD, cada vez mais, será ser liderante entre a direita.

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O desafio do PSD, cada vez mais, será ser liderante entre a direita. O equilibrismo do novo líder do PSD passa por aí. Recuperar esperança e travar a sangria, sem prometer o que não poderá cumprir: voltar a ser tudo como antes. Não vai. Não há refundação, regresso ou recurso que o vá fazer. Há eleitores que não regressam, primeiros votantes que não se roubam e descontentes cuja moderação já não satisfaz. O desafio do PSD, cada vez mais, será ser liderante entre a direita. Rio não deixa saudades, mas os seus 27% em urna deixarão. O desafio de Luís Montenegro é não ser o oposto disso: deixar saudades pela simpatia que a sua personalidade gera, mas acabar perseguido pelos resultados que ela não conquiste.

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Será muito difícil impedir que o minguar do PSD seja confundido com quem o dirige. Rio, ainda assim, aguentou quatro anos e meio. Para chegar ao seu objetivo disputar Legislativas, Montenegro precisa de aguentar o mesmo. Um PS em maioria absoluta, com ganas de recuperar Lisboa e Belém, não é um adversário a menosprezar. Ele, como se viu no seu score interno, também não

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