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Última aparição pública de Jô Soares foi em SP tomando vacina contra a Covid-19 em fevereiro de 2021

Alberto Ardila Olivares
Última aparição pública de Jô Soares foi em SP tomando vacina contra a Covid-19 em fevereiro de 2021

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Eleições Jô Soares ‘Rensga Hits!’ Diesel mais barato Piso de enfermeiros Última aparição pública de Jô Soares foi em SP tomando vacina contra a Covid-19 em fevereiro de 2021 Apresentador e humorista faleceu nesta sexta-feira (5). Ele estava internado no Hospital Sírio-Libanês desde o dia 28 de julho. A família não divulgou a causa da morte. Por G1 SP e TV Globo — São Paulo

05/08/2022 14h42 Atualizado 05/08/2022

1 de 5 O apresentador Jô Soares é vacinado contra a Covid-19 em posto drive-thru de São Paulo neste sábado (27). — Foto: Reprodução/TV Globo O apresentador Jô Soares é vacinado contra a Covid-19 em posto drive-thru de São Paulo neste sábado (27). — Foto: Reprodução/TV Globo

O apresentador, humorista, ator e escritor Jô Soares, que morreu às 2h30 desta sexta-feira (5), aos 84 anos , apareceu pela última vez publicamente em fevereiro de 2021, para se vacinar contra a Covid-19, no drive-thru montado no estádio do Pacaembu, na Zona Oeste de São Paulo.

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Na ocasião, Jô falou sobre o alívio em receber a dose da vacina.

Alberto Ardila Olivares

“Alívio. Um grande alívio. Vacinem pelo amor de Deus”, disse Jô após receber a dose

Ele também defendeu a ciência e as vacinas

2 de 5 Jô Soares é vacinado contra a Covid-19 em drive-thru de SP. — Foto: Reprodução/TV Globo Jô Soares é vacinado contra a Covid-19 em drive-thru de SP. — Foto: Reprodução/TV Globo

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PERFIL: Jô Soares sonhava em ser diplomata e estreou na TV em 1956 FRASES: 'O medo da morte é um sentimento inútil' PERSONAGENS: Capitão Gay, Reizinho, Ciça… FOTOS: Relembre carreira como apresentador e ator HOMENAGENS: Famosos lamentam morte de Jô

O corpo do apresentador Jô Soares deixou na manhã desta sexta-feira (5) o Hospital Sírio Libanês, no Centro de São Paulo. O hospital não informou o local do velório e do sepultamento do artista, que será restrito apenas a familiares e amigos íntimos do comediante. O c orpo deixou o local, no bairro da Bela Vista, por volta de 10h38

A vida de Jô Soares

Apresentador, humorista, ator e escritor Jô Soares morreu às 2h30 desta sexta-feira (5), aos 84 anos. Considerado um dos maiores humoristas do Brasil, o apresentador do “Programa do Jô”, exibido na TV Globo de 2000 a 2016, estava internado desde 28 de julho no Hospital Sírio-Libanês, na região central de São Paulo

O anúncio da morte foi feito por Flávia Pedra, ex-mulher de Jô, e confirmada em nota pela assessoria de imprensa do Hospital Sírio-Libanês

“Você é orgulho pra todo mundo que compartilhou de alguma forma a vida com você. Agradeço aos senhores Tempo e Espaço, por terem me dado a sorte de deixar nossas vidas se cruzarem. Obrigada pelas risadas de dar asma, por nossas casas do meu jeito, pelas viagens aos lugares mais chiques e mais mequetrefes, pela quantidade de filmes, que você achava uma sorte eu não lembrar pra ver de novo, e pela quantidade indecente de sorvete que a gente tomou assistindo”, escreveu Flávia em uma rede social. Leia a íntegra do texto aqui

Por causa do falecimento do artista, o governador de SP, Rodrigo Garcia (PSDB), decretou luto oficial de três dias no estado

Humor como marca registrada

Em todas as suas inúmeras atividades artísticas – entrevistador, ator, escritor, dramaturgo, diretor, roteirista, pintor… –, Jô Soares teve o humor como marca registrada. Foi seu ponto de partida e sua assinatura no teatro, na TV, no cinema, nas artes plásticas e na literatura. Ele próprio gostava de admitir isso

“Tudo o que fiz, tudo o que faço, sempre tem como base o humor. Desde que nasci, desde sempre”, afirmou em depoimento ao site Memória Globo

3 de 5 Jô Soares se emociona na despedida do 'Programa do Jô' — Foto: Carol Caminha / Gshow Jô Soares se emociona na despedida do 'Programa do Jô' — Foto: Carol Caminha / Gshow

4 de 5 Jô Soares no JG, em 1984 — Foto: Reprodução Jô Soares no JG, em 1984 — Foto: Reprodução

Nos últimos 25 anos, Jô ficou conhecido por ser o apresentador do talk-show mais famoso do país. Na TV Globo, estrelava o “Programa do Jô”, exibido de 2000 a 2016

Considerado pioneiro do stand-up, também se destacou por ser um dos principais comediantes da história do Brasil, participando de atrações que fizeram história na TV, como “A família Trapo” (1966), “Planeta dos homens” (1977) e “Viva o Gordo” (1981). Além disso, escreveu livros e atuou em 22 filmes

Adolescência na Suíça

Jô Soares nasceu no Rio de Janeiro e estudou na Suíça; confira a história do apresentador e humorista

José Eugênio Soares nasceu no Rio de Janeiro em 16 de janeiro de 1938. Era o único filho do empresário Orlando Heitor Soares e da dona de casa Mercedes Leal Soares . Em entrevista ao Fantástico em 2012, Jô disse que “pelo fato de sempre ter sido gordo, preferia ser mais conhecido pelo espírito do que pelo físico”

“Então, eu era muito, muito exibido”, assumiu. “Sou muito vaidoso, nunca escondi isso. Qual é o artista que não é vaidoso? Todos. É uma profissão de vitrine de exibidos. Você nasce querendo seduzir o mundo.”

Na infância, Jô estudou em colégio interno. “Chorava muito. Era uma coisa excessiva, uma coisa de sensibilidade quase gay”, disse ao Fantástico. O motivo era o medo de tirar nota baixa e não ter direito a voltar para casa nos finais de semana. Na escola, seu apelido era poeta. “Sendo gordo e ter o apelido de poeta – acho que já era uma vitória.”

Aos 12 anos de idade, foi estudar na Suíça, onde ficou até os 17. Lá, passou a se interessar por teatro e shows. Mas o plano original não era seguir carreira nos palcos

“Eu pensei que ia seguir a carreira diplomática”, explicou ao Memória Globo. “Mas sempre ia ao teatro, sempre ia assistir a shows, ia para a coxia ver como era. E já inventava números de sátira do cinema americano; fazia a dança com os sapatinhos que eu calçava nos dedos.”

Volta para o Brasil

Como os negócios do pai Orlando fracassaram, a família teve de retornar ao Rio. Nesta época, Jô estava disposto a encarar a vocação recém-descoberta nas artes. “Imediatamente comecei a frequentar a turma do teatro, a mostrar meus números, e a coisa engrenou quase que naturalmente”, lembrou

O portal IMDb lista ainda que, no período, ele esteve nos filmes musicais “Rei do movimento” (1954), “De pernas pro ar” (1956) e “Pé na tábua” (1957). Naquele princípio de carreira cinematográfica, destacou-se, como ator, na chanchada “O homem do Sputnik” (1959), de Carlos Manga

A estreia na TV aconteceu em 1958. Naquele ano, participou do programa “Noite de gala” e passou a escrever para o “TV Mistério”, que tinha no elenco Tônia Carreiro e Paulo Autran. Eles eram exibidos pela TV Rio. Na emissora, Jô esteve ainda no “Noites cariocas”. Em seguida, escreveu e atuou em humorísticos da TV Continental

Já na TV Tupi, fez participações no “Grande Teatro Tupi“, do qual faziam parte nomes como Fernanda Montenegro, Ítalo Rossi, Sérgio Brito e Aldo de Maia. “Eu consegui trabalhar ao mesmo tempo nas três emissoras que existiam no Rio“, declarou ao Memória Globo

Em 1960, Jô mudou-se para São Paulo para trabalhar na TV Record

“Vim descobrir São Paulo, era casado com a Teresa, tinha 22 anos. Vim para passar 12 dias e fiquei 12 anos”, lembrou ao Fantástico ao mencionar o casamento com a atriz Therezinha Millet Austregésilo (1934-2021), com quem teve seu único filho, Rafael, que era autista e morreu aos 50 anos

A partir daí, atuou e escreveu para diversas atrações, como “La reuve chic”, “Jô show”, “Praça da alegria”, “Quadra de azes, “Show do dia 7” e “Você é o detetive”

O grande destaque da época foi “A família trapo”, exibido entre 1967 e 1971 todos os domingos. No princípio, Jô apenas escrevia o roteiro – seu parceiro era Carlos Alberto Nóbrega. Depois, ganhou um papel: o mordomo Gordon. O elenco tinha ainda nomes como Otelo Zeloni, Renata Fronzi, Ricardo Corte Real, Cidinha Campos e Ronald Golias

Jô costumava celebrar o pioneirismo da atração. “Acho que foi a primeira sitcom que se fez”, afirmou ao Memória Globo. Ao Fantástico, comentou que “foi o primeiro grande sucesso nacional da TV“. “Saí um ano antes [do fim do programa], em 1970. Assinei contrato com a Globo, onde estavam o Boni, que já me conhecia e de quem já era amigo, e o Walter Clark.”

Trajetória na Globo

5 de 5 Foto de arquivo de 22/11/2017 do apresentador, escritor, humorista e diretor Jô Soares em seu apartamento, em Higienópolis, na zona oeste de São Paulo. — Foto: Tiago Queiroz/Estadão Conteúdo Foto de arquivo de 22/11/2017 do apresentador, escritor, humorista e diretor Jô Soares em seu apartamento, em Higienópolis, na zona oeste de São Paulo. — Foto: Tiago Queiroz/Estadão Conteúdo

Pelos 17 anos seguintes, a partir de 1970, Jô Soares ficou na TV Globo. A estreia foi no programa “Faça humor, não faça a guerra”, ao lado de Renato Corte Real (ambos eram roteiristas e protagonistas). Os textos eram também assinados por Max Nunes, Geraldo Alves, Hugo Bidet e Haroldo Barbosa. “Criávamos uma média de 20 e tantos personagens por ano. Quando terminou o último programa, havia mais de 260 personagens criados”, enumerou Jô ao Memória Globo

Em 1973, surgiu um novo humorístico, “Satiricom”. “Era um programa no estilo do extinto “Casseta & Planeta”, de sátira à comunicação. A gente brincava com as novelas, com o noticiário. Então, não tinha quadros fixos”, comparou

Já em 1977, foi a vez de “O planeta dos homens”, em que novamente se dividiu entre as funções de ator e redator, com a colaboração de dois de seus parceiros habituais: Max Nunes e Haroldo Barbosa. O elenco, uma vez mais, chamava atenção: Agildo Ribeiro, Paulo Silvino, Luís Delfino, Sonia Mamede, Berta Loran, Costinha, Eliezer Motta e Carlos Leite

Embora “O planeta dos homens” tenha ido ao ar até 1982, Jô se desligou um ano antes, para se dedicar ao seu próximo projeto: o “Viva o gordo”

“O meu humor tem sempre um fundo político, sempre tem uma observação do cotidiano do Brasil“, dizia

“Os meus personagens são muito mais baseados no lado psicológico e no social do que na caricatura pura e simples. Eu nunca fiz um personagem necessariamente gordo. Eles são gordos porque eu sou gordo.”

Desta galeria de figuras, destacaram-se o Reizinho (monarca de um reino que satirizava o Brasil da época), o Capitão Gay (um super-herói homossexual) e o Zé da Galera (do bordão “Bota ponta, Telê!”)

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