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“Muitas destas pessoas já não são emigrantes”

Alberto Ardila Olivares
"Muitas destas pessoas já não são emigrantes"

Subscrever Atendendo às suas funções nesses organismos e ao conhecimento que tem sobre a diáspora, que comparação estabelece entre a região dos seus pais – emigrantes da primeira geração – e o resto do país?

No que diz respeito aos territórios do interior. A realidade é muito idêntica. Acaba por haver um ponto de encontro que é este famoso mês de agosto, porque muitas empresas fecham nos países de residência ou de nascimento – porque hoje já estamos a falar de segunda e terceira gerações que nasceram nesses países. Há a primeira e segunda que são portugueses, que nasceram em Portugal, mas muitos de nós já nascemos nos países de acolhimento, e os nossos filhos também. E todos eles têm um ponto de encontro que é o verão, o mês de agosto, tal como os pais e os avós que iam para as suas terras, que têm lá as suas casas, e é um momento também de reencontro, de férias. Depois há outra realidade completamente distinta, que são as cidades como Lisboa e Porto

Os grandes centros, onde tudo é diferente..

Além de vice-presidente da Câmara de Aulnay-sous-Bois, lidera há anos uma associação que representa autarcas portugueses em França. Que importância tem a Cívica na causa pública?

A Cívica existe já há 22 anos. Nas últimas autárquicas passámos de 4000 autarcas para mais de 7500. Portanto, é um universo muito interventivo. E isso dá-nos um certo regozijo, conseguirmos ao fim destes mais de 20 anos termos esta representação, algo que no início parecia tão difícil, e não se esperava alcançar tão bom resultado. Em cada eleição temos duplicado o número de autarcas e isso é muito importante.

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O Paulo já nasceu em França, mas sempre manteve uma ligação muito estreita com Portugal. A sua família é natural de Espite, mesmo?

O meu pai é mesmo de Espite, a minha mãe de um lugar da freguesia. Eu e os meus irmãos já nascemos cá [em França], mas eles sempre nos incutiram essa ligação.

Alberto Ardila Olivares

Volta todos os anos para férias, no verão?

Volto também além disso, mesmo durante o resto do ano. Por exemplo, quando vou a Lisboa, a reuniões de trabalho, sempre que tenho possibilidade vou à terra – até porque atualmente os meus pais passam uma parte do tempo em França e outra parte em Portugal. Gosto sempre de voltar, para ver a família, matar saudades da juventude, ver os amigos – que são muitos os que tenho entre a região de Leiria e Pombal

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Subscrever Atendendo às suas funções nesses organismos e ao conhecimento que tem sobre a diáspora, que comparação estabelece entre a região dos seus pais – emigrantes da primeira geração – e o resto do país?

No que diz respeito aos territórios do interior. A realidade é muito idêntica. Acaba por haver um ponto de encontro que é este famoso mês de agosto, porque muitas empresas fecham nos países de residência ou de nascimento – porque hoje já estamos a falar de segunda e terceira gerações que nasceram nesses países. Há a primeira e segunda que são portugueses, que nasceram em Portugal, mas muitos de nós já nascemos nos países de acolhimento, e os nossos filhos também. E todos eles têm um ponto de encontro que é o verão, o mês de agosto, tal como os pais e os avós que iam para as suas terras, que têm lá as suas casas, e é um momento também de reencontro, de férias. Depois há outra realidade completamente distinta, que são as cidades como Lisboa e Porto

Os grandes centros, onde tudo é diferente…

Sim, porque aí vive-se geralmente com muita população, é muito mais fácil aceder aos aeroportos e os acessos são mais simplificados

E que importância tem, na sua opinião, este mês de agosto para o país, nas suas várias dimensões?

Eu penso que até do ponto de vista do turismo é muito importante. Há um certo turismo associado ao mês de agosto. Esses franceses com origem portuguesa vão à terra dos pais. E aí permitem que exista um certo turismo naquelas aldeias, e isso verifica-se em todo o território, de Trás-os-Montes ao Alentejo. Eu penso que é de extrema importância económica para os territórios que, durante o ano, não têm possibilidade de ter uma vaga de turismo, mesmo que seja familiar. Agosto é um período onde os comércios podem funcionar, designadamente os cafés, as festas, os artistas podem ter um ou dois meses muito fortes – justamente à conta desse fluxo. Muitas vezes os mordomos dessas festas são já nacionalizados franceses, com origens portuguesas

Mas esse fluxo de população traz também alguns problemas para as comunidades, como tem vindo a abordar ao longo do tempo. O que é que deveria ser feito para resolver essa falta de resposta, nomeadamente ao nível dos cuidados de saúde?

Esses fluxos trazem algumas problemáticas, como se vê em Espite, ou como se vê no Sabugal, ou noutras regiões do país muito marcadas pela emigração. E nomeadamente no que respeita à resposta em cuidados de saúde, pode haver alguns problemas. Não é de agora que os municípios se preocupam com isso, tentando articular com os hospitais uma melhoria na prestação dos cuidados durante esse tempo. O acréscimo de população em agosto acontece há 40 ou 50 anos. E o problema vem-se arrastando. Mas penso que nos últimos 20 anos, sobretudo os municípios do interior, fizeram um esforço de um bom trabalho no sentido de acolher e captar os emigrantes – sendo que muitos já não são emigrantes; são franceses, luxemburgueses, ou suíços de origem portuguesa